segunda-feira, 14 de março de 2016

Capitulo -04



No coração de New York, sentindo a necessidade falar mais alto do que a razão...



Olhei para o relógio do meu computador que estava aberto em um amontoado de arquivos com novos projetos de alguns editores -inclusive o manuscrito da Lil-, eu notei que faltava exatamente dez minutos para uma da tarde, e antes mesmo de fazer qualquer outra coisa, o meu telefone tocou, e eu sabia perfeitamente quem era.

-O que é?

-Senhora Unger, não se esqueça que em dez minutos tem um almoço marcado com a Senhora Chan, no Sushi Star!

-Ate o nome do lugar e medíocre! Eca.-pude jurar ter ouvido um esboço de sorriso, do outro lado da linha. Se apronte Jason, ira comigo, não vou encarar isso sozinha!-desliguei em seguida.

Me levantei e segui ate o banheiro, dei uma olhada geral no meu corpo, e gostei. Alias, eu sempre gosto. Retoquei a minha maquiagem, penteei os meus fios com o próprios dedos, retoquei o perfume, e em seguida sai do banheiro me sentindo renovada. Peguei a minha bolsa, e sai da sala em seguida, sem nem precisar encara-lo para saber que estava pronto, já que me esperava de pé -lindo-, em frente a sua mesa. O ignorei completamente, assim como todo aquele bando de gente imprestável, que estava ali somente de enfeite, por que na hora que preciso de algo, ninguém sabe me servir, e servir de porra nenhuma. Por mim, mandava todos embora, e contratava novos funcionários. Quando esta editora for minha, esta sera a minha primeira providencia.

Segui para o elevador a passos largos, sendo seguida pelo Jason. Tenho certeza de que olha para a minha bunda, mesmo com receios de mim, todos olham, a não ser que seja gay. Mas, eu acho que gay o Jason, definitivamente não é, se for, disfarça muito bem.

Parei na porta do elevador, e esperei que ele acionasse o botão a espera do mesmo. Porem, antes mesmo que ele apertasse o botão, a porta se abriu, quando ele parou no nosso andar. Entrei no elevador, assim que todos sairão, fui seguida por ele, que apertou o térreo sem falar absolutamente nada.

Descer 27 andares era entediante, porem não se tornou tão insuportável, quando respirei fundo sentindo o seu cheiro gostoso. Um perfume bom, bem másculo, que me fez fechar os olhos por um segundo- apenas um segundo-. Quanto tempo eu não sentia um cheiro tão bom. Tudo bem, não era muito tempo, já que eu tenho as minhas artimanhas, mas sentir um perfume novo era sempre muito bom, e o perfume dos outros funcionários não me chamam tanta a atenção. Ou talvez sejam eles que não deixam que os seus cheiros sejam um atrativos, já que todos são bem estranhos, e evitam me olhar. Não sei por que! Se bem, que na realidade, nenhum me agrada mesmo.

Enfim, ele tinha um cheiro bom, algo amadeirado, forte, imponente, algo que dizia "Esta pronta para ser minha?" Isso era sensual, e atraente.Definitivamente era de molhar a calcinha. Porem, só de pensar em dar para o meu assistente -por mais gato que seja, e ele é-, estaria completamente fora, de cogitação, o máximo que me permito, e imaginar, realizar seria decadente demais.

A porta do elevador se abriu no decimo quinto andar, e dois funcionários, que o estavam esperando, recuaram os seus passos assim que me viram la dentro, desistindo imediatamente, de pegar o mesmo elevador que eu. Eles olhavam para o Jason, como se perguntassem o que ele estava no mesmo metro quadrado que eu, como se eu tivesse uma doença extremamente contagiosa. Assim que a porta se fechou foi impossível não esboçar um sorriso pelo canto dos lábios, mesmo que sendo debochado.

-Viu como sou amada aqui na empresa Jason?

-A senhora só impõe respeito, não acho que seja odiada.

-Não seja estupido rapaz! Eu sou sim, e gosto de ser odiada, isso infla o meu ego.-sorri mais uma vez de canto arrumando a minha bolsa no ombro.

Saímos do elevador no térreo, e seguimos para a saída da editora, a sonsa da recepção, me desejou uma boa tarde, apenas a olhei pelo canto dos olhos lhe oferecendo a minha melhor cara de nada, colocando os meus óculos escuros, olhando para frente, e seguindo o meu caminho como se ela em nenhum momento existisse. Porem, quando ela falou com o Jason, ele lhe retornou o cumprimento, e acrescentou uma pergunta na finalidade de saber como estava sendo o seu dia. Estanquei a minha passada olhando para trás, e ele desfez o seu sorriso, dando lugar a uma expressão impassiva, encarando os meus olhos escondidos pela lente escura. Torci os lábios em desaprovação, e segui para a porta. Nem sei bem por que fiquei tão incomodada, mas, eu sempre achei desnecessário ficar de papinho furado no serviço, estas coisas me irritam. Ninguém e amiguinho de ninguém, no fundo somos todos rivais, e uma hora ou outra, a pessoa que lhe abriu um sorriso hoje, outrora pode, e irá, puxar o seu tapete. Isso era um fato. Por isso, para que ficar de sorrisinhos para terceiros? Nem para o meu dentista eu sorrio por livre e espontânea vontade.

O almoço foi terrível. Eu não comi, odeio peixe cru, e ver a Chen, comendo aquilo de forma tão prazerosa, me fez ter náuseas o almoço inteiro. Jason, também não comeu, mas que fique claro que foi por que não quis.

Ele passou o almoço inteiro apenas anotando as coisas que eu achava ser revelante, durante aquela reunião. Este almoço completamente desnecessário, e toda a baboseira que ouvi, era por que o senhor Arthur -o CEO da empresa-, queria abrir os horizontes, tendo a intensão de abrir uma filial da empresa na Asia. Agora a pergunta que não quer calar. Por que ele mesmo não veio para esta maldita reunião? Esta e fácil, eu mesma respondo. Por que ele não tem culhão, e obvio, tem a mim, para fazer isso por ele.

Filho da puta!

Ela falava sobre um novo trabalho-já que alem de ser muito influente em uma editora especifica na Ásia, ela também era escritora-, e eu fingia me interessar. Esta na hora deste povo ter um pouco mais de criatividade, eles sempre falam sobre as mesmas coisas em seus romances baratos. Sinceramente, não sei como estes romances água com açúcar tem tanta saída. Acho que tem muita gente romântica no mundo. Quando eles vão entender que não existe romantismo, e que a unica coisa que os homens querem quando bancam o romântico, e te comer? E que quando ele te levar para a cama, acabou, acabou o romantismo, acabou as flores,m acabou os chocolates, as aberturas de porta, enfim, depois de abre as pernas para o cara, todo o resto se fecha. Ai você só vê que foi feita de idiota, quando esta em frente a TV com um balde de pipoca, um de sorvete, chocolate, assistindo a um filme bem clichê. Faça-me o favor! Bando de idiotas!

Uma longa e torturante hora havia se passado, quando enfim, a reunião tinha acabado, e eu estava indo comer algo. Se e que o meu estomago iria permitir depois de ver tanto peixe cru na minha frente. A cada minuto que passava, eu sentia vontade de enfiar um "rachi" em cada narina daquela mulher de voz anasalada, que estava me tirando dos nervos.

-Fique a vontade para pedir o que quiser Jason!-o encarei quando já estávamos acomodados em uma mesa do meu restaurante favorito a três quadras da Editora. Espero conseguir comer algo depois de presenciar aquele show de horrores.

-Obrigado! Quando chegarmos tratarei de enviar todo o teor importante da reunião para o seu e-mail.

-Faça isso!

-Senhora Unger, vai querer o de sempre?-um dos garçons se aproximou.

-Sim!-e eu sei, eu sou previsível, mas só quando eu quero. Ouvi o meu celular tocar, peguei o aparelho, e la estava escrito Joseph, deixei um sorriso de canto escapar e atendi. O que quer?-fiquei seria novamente.

-Como sempre doce como féu!-sorriu.

-Não estou com tempo para você Joseph, tenho que comer, e voltar ao trabalho.

-Quero te encontrar esta noite, preciso te foder com força!

-Frustrado?

-Excitado!

-Use outros artifícios, não estou a fim de apenas cinco minutos de prazer!-dizia tão passiva, como se estivesse falando sobre o tempo.

-Eu estava cansado na ultima vez! Ate quando vai jogar isso na minha cara?

-Ate me promover algo decente, coisa que não acontece a algum tempo, não e Joseph? Eu acho que esta na hora de procurar um novo buraco para se entocar.

-Você esta dando para outro, não e Anne?

-Infelizmente não, mas se tivesse também não seria da sua conta, não te devo nada!-endureci o meu tom de voz. Inútil.

-Tudo bem, desculpa! Vamos marcar hoje a noite, aproveitar que é sexta-feira, jantar fora, e depois curtir a um motel, já que ainda não me deixa conhecer o seu apartamento. O que você acha?

-No meu apartamento, só entra quem eu quero. E no momento, eu não te quero por lá!

-Você e tão...

-Sinceramente, pouco me importa quem pareço ser para você! Hoje as sete, na frente da editora, não se atrase. E a sua ultima chance de fazer algo bem feito!

-Muito obri...

-Haja paciência!-tinha desligado na sua cara, não preciso de sua gratidão, preciso de outra coisa, e muito bem feita.

Joseph, era um cara que de vez em quando me retirava o atraso. Não era um Deus do sexo, mas no inicio me deixava bem devastada. Ele que não sonhe em saber disso. Mas, de um tempo pra cá, ele vem me deixando e bastante irritada. No fundo, eu acho que já me enjoei dele. Hoje decidi aceitar mais uma tentativa, se for tão frustrante como da ultima vez, em que ele gozou nos primeiros dez minutos, me deixando na mão, eu vou arrancar as suas bolas com uma faca de descascar legumes.

Olhei para o Jason, e ele estava com os olhos grudados no tablet onde ele mantinha a minha agenda em ordem, como se de certa forma, tivesse dando privacidade para a minha ligação. Pela primeira vez em no minimo uma semana, esbocei um resquício de sorriso verdadeiro. O filho da puta conseguia ser ainda mais atraente de perfil. Ate este momento, ainda não tinha levantado a possibilidade de transar com algum assistente alem do Taylor-, mas mesmo contra a minha vontade, este infeliz estava começando a fazer uma área especifica do meu corpo ficar extremamente abalada. Ou no caso, encharcada.

Por incrível que pareça, o almoço com o Jason foi bem agradável, afinal, não trocamos uma palavra, e acredite. Isso foi melhor do que as ultimas horas de ladainha que eu ouvi ate então.

Apesar do silencio, a sua companhia era bem interessante, fora que era agradável de se ver. Afinal, a cada minuto que passa, eu vejo algo nele que me salta aos olhos. Notei um sinal marrom escuro em sua sobrancelha direita, e isso lhe dava um charme todo especial. A sua gravata com um nó perfeito, em volta seu pescoço, deixando as pontas cair sobre o seu peito aparentemente definido, que se movimentava de acordo com a sua respiração. Ele chamava a atenção das mulheres ao seu redor, fazendo alguns pescoços femininos se entortarem em sua direção. E por que não alguns masculinos também? Ele deveria ter a mulher que quisesse na sua cama. Fechei os olhos com força, e soltei um palavrão internamente, ao notar que estava reparando demais nas feições de um, subalterno. Onde aquele filho de uma mãe do Joseph, me fez chegar com a sua incompetência na cama. Desgraçado.

Terminamos o almoço, voltamos para a editora. Me tranquei em minha sala, e por la fiquei voltando a minha atenção para o computador como estava antes do almoço. Preferi me desligar de tudo, e de todos, antes que mande meio mundo para aquele lugar, só de frustração antecipada. Tudo isso prova que la no fundo. Bem la no fundo, eu sou uma boa mulher.

Nem vi a hora correr no relógio, quando notei, já era final do expediente, e eu ainda estava no computador, precisava terminar de ler, e organizar aqueles arquivos, e enviar para o Jason, ele teria que arquiva-los ainda hoje. Obviamente faríamos hora extra, e infelizmente não poderia ir para casa tomar um banho, e me arrumar para sair. Foda-se, se o Joseph quiser me comer, terá que ser assim mesmo, ou vai esperar ainda mais.

-Jason!-disse apos apertar o seu ramal no meu telefone.

-Sim.

-Vem aqui!

-O que deseja?-me encarava ao fechar a porta atras de si. Rápido este moço!

-Vamos fazer hora extra! Ainda não terminei estes arquivos, e você tem que arquiva-los ainda hoje. O trabalho e tanto, que ainda vou levar serviço para casa.

-Tudo bem, não tem importância!-olhei para ele, que me encarava com os olhos cerrados, e com o maxilar tensionado.

-Não me encare assim, isso me irrita!

-Desculpe, não notei que a encarava.-sorriu de canto.

-Do que sorri?

-De nada senhora! Precisa de mais alguma coisa?

-Preciso! Senta!-apontei para a cadeira a minha frente. Por que sorri?-refiz a minha pergunta depois que sentou, e ele sorriu abertamente agora.

-Fui abordado no corredor, por uma das moças, que me perguntou se eu era o seu novo assistente.-sorriu ainda mais, os seu sorriso era um ótimo atrativo. Porra, para de sorrir homem. Eu respondi afirmativamente, e ela me desejou boa sorte, e que você era alguém impossível de se aturar.

-Pode ter certeza que sim, eu sou o pior pesadelo de todos aqui dentro.

-Desculpe, mas não e o meu! Estou muito animado com, a possibilidade de trabalhar ao lado de alguém tão competente, e isso esta sendo um desafio que eu estou adorando.

-Vamos ver ate quando! Agora vá, não me faça ficar olhando mais um segundo para a sua cara, esta me dando vontade de te bater, ate ficar todo vermelho!-ele me encarou, cerrando os olhos novamente, e vi um brilho diferente em seu olhar, que fez a minha pele se arrepiar, e a minha calcinha ficar levemente úmida. Ele se levantou depois de alguns segundos, e simplesmente saiu em seguida.

Respirei fundo, e retirei o blazer depois de sentir um calor gostoso, tomar o meu corpo. Acho que a falta de sexo esta me deixando completamente necessitada. Espero que aquele imprestável, faça um bom trabalho hoje.

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