sexta-feira, 4 de março de 2016

Capitulo -01



Manhattan, New York, coração do Estados Unidos...

"Puta que pariu!"

Esta frase era o meu lema, era como um mantra. Sabe aquela frase libertadora que surge quando voçê mais precisa? Eu geralmente a solto quando estou feliz, com raiva, somente alegre, ou extremamente eufórica com algo, enfim, ela era definitivamente libertadora, ainda mais no meu estressante trabalho.
Eu me chamo Anne Unger, sou vice presidente, e editora chefe de uma rede editorial de livros a MJR Editores "Eu sei o nome e ridículo, porem a culpa não e minha, portanto sem julgamentos desnecessários."
Não posso me dar ao luxo de ficar blasfemando, afinal não ganho mal, pelo contrario, mas trabalho pra caralho para conseguir uma boa posição, e claro, status. Afinal, o meu objetivo, e chegar ainda mais alto, muito mais alto. Quem sabe um dia a CO?
Passo boa parte do meu dia dentro de uma sala, aturando pessoas incompetentes ao meu lado, porem o meu pavio não e tao longo, acho que e por isso que eu já demiti mais de 20 assistentes ao longo de 5 anos no cargo. A unica pessoa que durou mais tempo foi o Taylor Eracch. Ele era responsável, e sabia me bajular. Gosto de assistentes que me bajulam.
Porem tive que manda-lo embora, quando fiquei sabendo que o filho da puta, estava trepando com outra assistente no almoxarifado nas horas vagas -o safado dizia que ia tomar um cafezinho, e demorava quase meia hora, ele só esquecia de falar o cafe era acompanhado de uma rapidinha entre as vassouras. Idiota-. E como normas da empresa, os dois tiveram que ser demitidos. Foi uma pena o desgraçado era uma gracinha, e por varias vezes já tinha me pegado quase me masturbando, pensando naqueles olhos verdes me encarando, e naquelas mãos fortes pegando o meu corpo de jeito. Porem, deixemos esta parte pra la.

Hoje tenho mais algumas entrevistas para fazer, pois na segunda passada demiti mais um incompetente. Ou no caso uma, já que a Clarice, era uma vaca, e eu peguei a vadia falando mal de mim com a Florence Donavan. Uma rival infeliz e invejosa, louca para tomar o meu lugar, mas mal sabe ela que já estou fazendo a cabeça do Martin Johnsem -que e o presidente da editora- para jogar esta vadia no olho da rua. E pelo fato da Clarice, ter sido demitida, tive que começar uma nova busca a um assistente. Lá vai eu, ter crises de enxaqueca perdendo o meu precioso tempo com subalternos. Dai-me paciência, e um bom remédio para dor.

Acordei como sempre as 5:30 da manha, afinal eu tinha que sair mais cedo. O foda de não ter uma assistente, e ter que comprar o próprio cafe, e enfrentar a maldita fila na cafeteria logo pela manha. Nem posso pedir ao Rod - meu motorista-, para comprar, afinal,  ele nunca acerta o meu maldito cafe, e isso me deixa ainda mais mau humorada pela manha.
Depois de pronta e munida com o meu terninho Italiano, eu sai do meu apartamento, localizado no coração de Manhattan, e entrei no Dodger charger que me esperava no meio fio, com a porta aberta, pelo Rob, que estava muito bem vestido, e elegante em seu uniforme de motorista como sempre.

-Bom dia senhora Unger.

-Rob!-entrei no carro, e ele logo fechou a porta a minha lateral-

Ele seguiu o caminho da empresa, mas como ele sabia que eu estava sem assistente, parou em frente a um cafe, o que eu mais gostava em Manhattan. Porem quando ele ia descer, eu o impedi.

-Pode deixar que eu mesma vou comprar o meu cafe Rob.

-Sim senhora.


Esperei que ele abrisse a porta do carro, e sai em seguida ajeitando a saia do meu terno, entrando no estabelecimento. Descaradamente passei a frente de todo mundo, seguindo diretamente para o balcão, e claro, gerando alguns murmúrios que sem nenhuma dificuldade entravam, e saiam pelos meus ouvidos sendo devidamente ignorados. Definitivamente, eu não tinha tempo para dar ouvidos para ninguém.
Bati com as minhas unhas cumpridas no balcão, e logo um dos atendentes veio ao meu encontro, era um garoto, deveria ter no máximo uns 17 anos de idade, tinha o rosto coberto de acne. Ta, talvez não estivesse coberto, mas era nojento. Ele me olhou e sorriu simpaticamente, me perguntando o que eu queria.

-Sou Anne Unger!- ele me olhou meio confuso como se se eu tivesse lhe perguntado a previsão do tempo, porem um outro rapaz apareceu imediatamente-

-Só um segundo senhora, já trago o seu pedido!-outro atendente se prontificou.

-Mas ela não pediu nada!-ouvi o rapaz questionar.

-Mas aqui todos sabem o que a senhora Unger, gosta de tomar!-o rapaz respondeu prontamente.

-E assim que eu gosto!-sorri satisfeita, ao menos algo bom para melhorar um pouco o meu humor. o um pouco!

Preciso confessar, eu adoro quando sou reconhecida apenas pelo meu nome, e tão... Prazeroso. Sinto que imponho respeito, e sinceramente, não me importa pelo o que sou reconhecida, o importante era ser.
Assim que cheguei na recepção com o meu delicioso cafe em mãos, dei de cara com a sonsa da recepcionista, uma ruiva aguada que nuca sei ao certo seu nome. E definitivamente, não me interessava nem um pouco.

-Bom dia senhora Unger!- Somente olhei para a sua cara pintada, com uma sombra acobreada, que sem duvidas, não combinavam nem um pouco com ela, e simplesmente me aproximei mais.

-Os candidatos a assistentes já chegaram?-desviei o olhar dela encarando as minhas unhas vermelhas que combinavam perfeitamente, com o meu batom vermelho cereja.

-Sim senhora, aqui esta!-me entregou os papeis, e eu olhei por alto algumas fotografias.

-Eu mereço. Mais uma senhora achando que vai dar conta do recado, ela deve ter o que, uns 35 anos?-olhei para a foto anexada ao currículo, porem, olhando bem para a ficha.- Certo ela tem 25. Definitivamente, óculos só deixam as pessoas com cara de velha!- olhei para a recepcionista, e ela estava ruborizada, franzi o cenho com desdem ao notar que ela usava óculos, e com uma armação horrivelmente brega- Quero que mande esta papelada toda para o meu e-mail, odeio ficar revirando papeis, isso e ultrapassado, cade a tecnologia?

-São ordens do senhor...

-Eu sei, mas eu quero que as mande por e-mail. Estamos entendidas?

-Mas isso não e trabalho meu senhora, e sim do seu assisten...

-Caso não saiba, coisa que eu acho muito difícil, já que eu sei que você passa a maior parte do seu tempo com as outras desocupadas, fofocando sobre a vida dos outros pelos corredores. Inclusive a minha!-ela baixou os olhos. Mas, eu estou sem assistente, e não tem quem faça para mim. Por tanto... faça você!

-Sim senhora!-ela ruborizou ainda mais, porem, acho que desta vez foi de raiva. Foda-se.


Me afastei do balcão sabendo que ela estaria me xingando de vadia, para baixo. Acredite, isso não me abala, eu sou muito superior para isso! Ah, e se caso voçê use óculos, e esteja querendo me xingar, por favor entre na fila, mas acredite, ela não e nada pequena.

"A megera de 27°" Era exatamente assim que eu era conhecida nos outros andares. Já no próprio 27° eu tinha o carinhoso apelido de "Naja". Eu sei, todos me amam.
Adentrei ao salão, e estava acontecendo uma das coisas que eu simplesmente adorava observar. O final da movimentação de todos aqueles desocupados, se arrumando em suas mesas, fingindo que faziam algo que prestasse, enquanto eu não chegava.
Com o meu pé direito, sai do interior do elevador, apreciando o meu próprio som. Os "Clacs" dos meus saltos altíssimos, batendo contra o porcelanato do enorme salão. Alguns me olhavam temerosos, e as mais atrevidas com desdem, no qual eu apenas retribuía com mais desdem ainda, porem muito mais superior.

 Por que eu posso.

Olhei para uma sala que antecedia a minha com uma enorme porta de madeira, e era onde provavelmente estavam os candidatos, que aguardavam ser chamados para a entrevista. Sei que isso não era o meu papel, gostava de deixar esta parte com o RH, mas depois das ultimas contratações, decidi entrevistar pessoalmente, antes que mandasse todo o RH embora. Apesar de que era bem legal ter alguém de la, para chamar de incompetente, quando mandava um dos assistentes embora.
Resolvi abrir a porta, e dei de cara com um bando de gente extremamente tensa, a tensão naquela sala era tao grande que quase dava para cortar com uma faca, e acredite, eu adoro isso, e o meu maior prazer era deixa-los ainda mais tensos.

-Candidatos? -perguntei somente encarando alguns, e não gostando de nada que vi por alto.

O susto que alguns dos que estavam distraídos levaram, e a cara de idiota que fizeram, foi a melhor parte de todas. Os ofereci a minha melhor cara de nada sem olhar muito para a expressão de todos, e simplesmente continuei o meu caminho para a minha sala bem decorada, ao meu gosto, e claro.
Me preparei psicologicamente para enfrentar todas aquelas entrevistas, que só de pensar a minha a
enxaqueca já começava a dar sinal de vida.

Me sentei a frente de minha imponente mesa, cruzando as minhas pernas, e dando uma leve apreciada no meu "Channel" vermelho, de 15 centímetros. Sempre me achava mais poderosa quando os calçava.
Dei uma olhada ao redor, parando de costas para a mesa, e apreciei por alguns instantes a vista que a parede de vidro da minha sala, tinha para os arranha céus da cidade de Manhattan. Só eu sei como gosto de estar aqui, e não em Idaho.
Não e que eu não goste de onde eu nasci. Mentira, eu não gosto. Não sou de lá entende? E como se eu tivesse nascido no lugar errado. Eu sei que Idaho, e um dos quatorze maiores estados americanos em quilômetros quadrados, mas de que adianta, ser tão grande em extensão, e tão pequeno em relação a expansão, e eu não digo em relação a cidade, mas sim, na população. Eles parecem viver em um mundo apenas deles, meio que interiorizarão sabe? E, definitivamente, isso não e para mim, O meu lugar e Manhattan, é aqui que eu me sinto bem, me sinto livre.
Não só eu, como a minha genitora, aquela ingrata. Aquela papa anjo descarada. E assim que ela experimentou esta sensação -e claro o meu status-, a minha "mãe" logo concordou comigo, e hoje, vive como se nunca tivesse morado em outro lugar a não sem em New York. Aquela vaca! Mas isso deixaremos para outro momento.
Mas, o momento não e para ter recordações desnecessárias, e sim, me preparar para as próximas longas, e tediosas horas.


-Elisa manda entrar o primeiro candidato! -ela obviamente não era a minha assistente, mas a elegi para o cargo por conta própria no dia de hoje.

-Bom dia, posso entrar?

-Não, crie raiz na minha porta se achar por bem! -disse impaciente massageando as laterais da minha cabeça, e bufando de tédio, e de dor, já aquela hora da manha.

Senti que infelizmente a minha enxaqueca vai dar o ar da graça, e o pior, mais cedo que o de costume.

-Entre e fecha a porta! -disse com a voz dura e afetada, ao constar que ela ainda estava parada na porta como dois de paus. Odeio gente lenta.

-Muito prazer senhora...

-Qual e o seu nome?

-Juliet Miller...

-Formada em que?

-Estou estuando jornalismo e...

-Por que não foi procurar emprego em um jornal, somos direcionados aos livros?

-Por que amo livros...

-Não temos biblioteca! Sabe o que fazemos aqui? Sabe ao menos, o que voçê possivelmente vai fazer aqui?- ela não disse nada. Não, por que você nem ao menos citou o seu interesse na editora em seu currículo. Olha pelo que eu vi aqui, você e uma ótima profissional, porem não tem atitudes. É isso, se os que estão ali fora, forem mais incompetentes do que voçe, eu mando te ligar Julia...

-E Juliet...

-Que seja! Torci os lábios mostrando a minha insatisfação!

Puta que pariu!

Exclamei assim que ela saiu, e só com esta frase já me senti pronta o proximo ser, que provavelmente me faria perder mais 2 minutos do meu dia.
Depois de mais umas 10 pessoas, entre homens e mulheres, nos quais variei bastante no tempo, gastando entre 1, e 5 minutos com cada um, enfim só faltava mais 3. E, infelizmente, ate agora ninguém tinha me interessado -ninguém parecia ser competente o suficiente, nem para comprar o meu cafe corretamente-, e isso era lastimável pelo fato de ter que passar na cafeteria novamente no dia seguinte. Alias, por falar em cafe, eu não vou mais la, desta vez quem vai é o Rob, já gastei por hoje, toda a minha cota de tolerância de um ano. E ai dele, se trouxer o meu cafe errado novamente, vai para o olho da rua!

-Próximo! -O meu estresse era tanto que eu já não aquentava mais ficar um minuto naquela sala.

-Bom dia! Ouvi uma voz masculina grave, e imponente, ela cortou os meus ouvidos, me fazendo respirar profundamente, e desta vez, não foi de impaciência.

Me deparei com um homem alto, de porte físico muito interessante diga-se de passagem. Os seus olhos eram claros, e o seu maxilar muito bem marcado. Estava devidamente apresentável, em um terno que lhe caia como uma luva, porem, estava longe de ser um italiano. Mas enfim, e quem veste que faz a imponência da roupa. O seu olhar de confiança me desafiou, e eu gosto, adoro ser desafiada, e já faz um tempo que ninguém se atreve a isso.

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